O texto apresenta uma reflexão sobre a necessidade de repensarmos a forma como a economia está organizada e, principalmente, qual deve ser o papel do Estado nesse processo. Mariana Mazzucato defende que, diante dos desafios atuais, como as desigualdades sociais, as mudanças climáticas, as crises de saúde e a concentração de riqueza, não é mais suficiente que o Estado apenas intervenha quando o mercado apresenta algum problema. É necessário que ele também participe da construção de novos caminhos e ajude a direcionar a economia para objetivos que sejam importantes para toda a sociedade.
Um dos pontos centrais do texto é justamente a ideia de bem comum. Na visão apresentada, o desenvolvimento econômico não pode ser medido somente pelo crescimento, pela produtividade ou pelo lucro das empresas. É necessário observar também quem se beneficia desse desenvolvimento e de que maneira os resultados são distribuídos. Muitas vezes, os investimentos e os riscos são assumidos coletivamente, principalmente por meio de recursos públicos, enquanto os benefícios acabam ficando concentrados em poucos grupos.
O exemplo das vacinas contra a Covid-19 deixa essa questão bastante evidente. Houve um grande investimento público em pesquisas, desenvolvimento e inovação, mas nem sempre esse esforço coletivo resultou em acesso igualitário aos benefícios produzidos. Dessa forma, Mazzucato questiona um modelo no qual a sociedade participa dos riscos, mas não necessariamente participa dos resultados. Quando existem recursos públicos envolvidos, deveria existir também algum compromisso para que os benefícios retornem para a população.
Outro aspecto importante é a necessidade de rever a relação entre Estado, empresas e sociedade. As parcerias entre o setor público e o privado podem ser importantes, mas precisam estar baseadas em objetivos claros e em responsabilidades compartilhadas. Não se trata apenas de financiar empresas ou projetos, mas de estabelecer condições para que aquilo que é produzido também gere valor para a sociedade.
O texto também reforça a importância da participação social. Pensar no bem comum significa permitir que diferentes grupos participem das decisões e não deixar que apenas interesses econômicos definam os rumos do desenvolvimento. Nesse sentido, colaboração, participação coletiva e compartilhamento de conhecimento passam a ter um papel importante na construção de uma economia mais equilibrada.
Para mim, a principal reflexão do texto está na ideia de que precisamos deixar de pensar o bem comum apenas como uma maneira de diminuir os problemas produzidos pelo modelo econômico atual. Ele deveria fazer parte da própria estrutura da economia. Isso significa pensar políticas públicas, inovação, tecnologia e desenvolvimento a partir de objetivos coletivos, buscando uma distribuição mais equilibrada dos riscos, das oportunidades e dos benefícios. A proposta de Mazzucato, portanto, aponta para uma economia baseada mais na colaboração, na inteligência coletiva e na participação social, em que Estado, empresas e sociedade construam juntos soluções para problemas que também são de todos.
Ao final, essa discussão também me faz lembrar das reflexões do Papa Francisco, principalmente quando ele defendia uma economia mais humana e comprometida com o bem comum. Em diferentes momentos, Francisco questionou uma lógica econômica baseada exclusivamente no lucro e na concentração de riquezas, chamando atenção para a necessidade de colocar as pessoas, especialmente as mais vulneráveis, no centro das decisões. Sua defesa de uma economia que também considere a justiça social, a solidariedade e o cuidado com o meio ambiente dialoga diretamente com as ideias apresentadas por Mazzucato. Os dois pensamentos nos levam a uma questão fundamental: não basta uma economia que produza riqueza, é necessário pensar como essa riqueza é produzida, quem participa desse processo e, principalmente, como seus benefícios chegam à sociedade. Nesse sentido, falar de bem comum também é falar de responsabilidade coletiva e da construção de um modelo de desenvolvimento que não deixe ninguém de fora.
Leitura: https://outraspalavras.net/pos-capitalismo/mazzucato-no-comum-uma-nova-economia/